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Abr 08

A Experiência de Parto da Mariana que amavelmente decidiu partilhar com todos nós.

 

E o momento da Maria foi na sexta-feira, dia 14 de Setembro, pelas 22:35.

O dia começou cedo… Por volta das 6:00 da manhã. A noite fora diferente das outras, ao invés de dormir seguido, acordei quase de hora a hora para ir à casa de banho… Mas não havia dores. Só às 6:00 é que comecei a sentir as primeiras contracções. Deixei-me ficar na cama a fazer a respiração de relaxamento e a pensar: "Será hoje?" As contracções vinham leves ainda, mas ritmadas e de com uma cadência entre 5 e 10 minutos. Cerca das 7 da manhã o Pai acordou e ficou a fazer-me companhia. Concluímos que não devíamos ir trabalhar pois o dia prometia surpresas. Por volta das 8:00 resolvi ligar ao Parteiro, pois era nossa intenção que a Maria nascesse em casa, e ver com ele como estariam as coisas. Pela descrição que lhe fiz, ele disse que estava a vir para cá. Como eu ainda tinha coisas de trabalho para tratar , aproveitei a manhã para tratar delas online - enviar mails, algumas indicações para trabalho a decorrer, etc… Quando as contracções vinham, eu parava, respirava e depois continuava  . Cerca das 11:00 chegou o Parteiro que nos disse que não faria qualquer observação manual naquele momento pois iria apenas ver como eu estava e esperaríamos a ver o que acontecia - sim, porque poderia ser apenas um falso trabalho de parto (TP)! E então cá ficámos em casa… As contracções mantinham-se entre 5 e 10 minutos, perfeitamente suportáveis.

Chegou a hora do almoço. Só me apetecia cozidos e foi o que o Pai cozinhou: polvo com batatas e ovo. Mas o Parteiro alegremente disse: "ou muito me engano, ou não vais comer isso tudo!" Dito e feito! Quando comecei a comer, as dores aumentaram e fiquei com náuseas… Depois do almoço deles, pois eu já não comi mais, fomos ver como estava a dilatação: 5 cm! Boas notícias, já podia ir para a banheira e relaxar com a água quente. E foi isso que fiz: velinhas para dar luz ambiente, água bem quente, incenso e relax. Mas como alguma coisa tinha de correr mal - a lei de Murphy é infalível! - o esquentador pifou! O Pai conseguiu resolver o problema manualmente mas houve a visita de um técnico de reparação de esquentadores ainda nessa tarde! Mas continuando… Entrei na piscina e relaxei… Quando vinham as contracções, deixava que a dor percorresse a barriga e tentava não contrair nada - tinha que deixar o meu corpo trabalhar! Entretanto chegaram as Doulas que deram uma ajuda extra - a colocar mais água na minha barriga a cada contracção e a dar palavras de incentivo. E assim fui até cerca das 18:00, altura em que o Parteiro fez novo toque: 9cm! Quase, quase, tudo pronto. Mais um bocadinho e iria ver a minha menina, pensei!

Demorou mais um pouco até ter os 10 cm - OK para começar a puxar! E começou o período expulsivo. A cada contracção, que nesta altura eram bem dolorosas, tentava empurrar a Maria para fora do útero, mas ela não descia… Periodicamente, o Parteiro ia medindo os batimentos cardíacos dela, que continuavam óptimos, o que nos dava segurança para continuar. Saí da banheira para o quarto e continuei a puxar, e ela continuava a não descer. "Vamos lá ver o que se passa!" E o que se passava era que a Maria, ao invés de estar na posição correcta para se nascer - de nariz para o chão - estava de nariz para o céu. Significa que o período expulsivo poderia ser longo, devido à dificuldade em descer o canal de parto. Mas como tudo estava bem com o bebé, continuámos. Estive em período expulsivo, em diferentes posições, durante 4 horas. Durante esse tempo o Parteiro tentou, por diversas vezes, girar a cabeça da Maria de modo a que ela se posicionasse de outra forma. Mas ela é teimosa e não girou! Eu começava a ficar completamente exausta e as contracções, em vez de ficaram mais efectivas estavam a diminuir de intensidade. E por fim, a bolsa rebenta completamente e apresenta uma cor esverdeada - informação que o Parteiro não me deu na altura para não me afligir. Nessa altura foi tomada a decisão de irmos para o Hospital, pois em casa já não seria totalmente seguro devido à sua posição e ao mecónio no líquido (sendo que a presença de mecónio pode indiciar uma de duas coisas: maturidade do bebé - ou seja, já estando completamente desenvolvido, controlando os seus músculos, teve vontade de fazer o seu cocó, ou então, sofrimento fetal), embora os batimentos cardíacos dela se mantivessem óptimos.

A minha questão na altura foi: "E como é que eu vou, assim, para o Hospital?" - O Parteiro respondeu: "Não te preocupes, vou contigo atrás no carro, se a bebé quiser nascer, eu faço o parto!" E lá fomos nós! Ainda tive contracção no elevador, na entrada do carro e pelo caminho! O carro voava, em marcha de urgência pela cidade de Braga (é incrível que as pessoas no trânsito são mesmo lixadas. Verem um carro, com os 4 piscas ligado, a dar sinais de luzes e a andar em velocidade, e não se desviam!!!), chegámos ao Hospital em menos de 7 minutos. O Pai correu pela urgência a dizer: "A minha mulher está a ter um bebé!" e rapidamente uma cadeira de rodas me veio buscar e levar à sala de partos. Foi um alarido! "Está a chegar uma mãe em TP!!" Parecia um filme! Quando chego mesmo à beira da "simpática cadeira" de partos, veio outra contracção e eu disse: "Vou puxar" e o enfermeiro responde em pânico: "NÃO PUXE!!" - pois ele não sabia se eu tinha ou não a dilatação completa, mas eu continuei a puxar. Subi para a cadeira, ele fez o toque e: "Ok pode puxar." Na próxima contracção eu puxei e ele viu o cabelinho da Maria, mas eu já não estava capaz de fazer mais força e as minhas contracções já estavam a tornar-se espaçadas demais. Tentaram administrar-me ocitocina, mas as minhas veias colapsaram e não era possível. Então a solução foi: episiotomia mais a manobra de empurrar o bebé. Veio outra enfermeira para carregar na barriga, eu puxei na contracção e o enfermeiro deu o corte. Nesse momento eu gritei! Muito! E a enfermeira que me carregava na barriga gritou ainda mais a dizer "Não grite, não grite!" (esta é daquele tipo de situações totalmente desnecessárias e desadequadas, enfim… Mas já esqueci essa dor.) E em poucos segundos, eu ouvi: "Nasceu!" senti como que uma sensação de vácuo. Esperei ouvir o choro, que demorou uns segundos que para mim era a eternidade. Estavam a aspirá-la. Assim que terminaram, ela começou a chorar, primeiro devagarinho, depois em plenos pulmões. Os meus olhos encheram-se de lágrimas e eu senti-me a mulher mais feliz do mundo. Foi um momento único, lindo, e indescritível. Eu só não percebia era porque não ma davam para dar de mamar. Explicaram-me que primeiro iam cuidar de mim, e dela. E nasceu com 3,350kg, 47 e APGAR 9/10!

A partir daqui, foi esperar a placenta sair, verificar de estava tudo bem internamente, coser o corte - "Não me vai coser a sangue frio, pois nã0?" "Não! Vamos pôr o sangue a aquecer primeiro!!" Conseguiram, finalmente, aplicar-me o soro com um medicamento para o útero contrair, aplicou a anestesia local e começou a coser. Foi um momento doloroso, suportável porque me pus a olhar para a Maria 

E finalmente, deram-me a Maria para mamar. Outro momento inesquecível! Ser capaz de alimentar a nossa filha e ver a sua carinha de satisfação!  E lá ficamos os três: eu, o Pai e a Maria num momento que podia ter ficado parado no tempo para sempre.

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Impressões:

- realizar todo o TP em casa foi a melhor opção. Estive sempre à vontade, pude movimentar-me, beber água, estar no meu ambiente, com luz baixa e pessoas que respeitaram o meu espaço. Não fui constantemente tocada, nem mexida. Senti-me sempre segura e confiante de que era capaz! Foram 16 horas e 30 minutos de TP, 8 das quais em TP activo (com mais de 3 cm de dilatação) e eu sinto que passou muito rápido!

- o Parteiro que me acompanhou é, sem dúvida, das melhores pessoas que conheci nos últimos tempos. Um ser humano fantástico, excelente profissional, domina a técnica, e transmite toda a segurança e confiança necessárias. Para o/a próximo/a havemos de conseguir!! 

- o hospital: para mim, é uma violência. Não há respeito pela Mulher, pela Mãe que ali está. Não passamos de mais uma… Há barulho, gente a entrar e a sair! Fiquei convencida que recusar uma epidural num hospital, isso sim, é um acto de coragem! pois quando se está naquele ambiente, presa ao CTG (que nunca me puseram), com soro e ocitocina, as dores serão, com toda a certeza muito superiores ao que eu senti, simplesmente porque não há calma… Claro que foi graças ao hospital que a minha menina aqui está, mas o que quero transmitir é que há um grande e longo caminho a percorrer no sentido da humanização destes espaços.

- ficou uma memória linda do dia 14 de Setembro. Foi o dia mais bonito, mais completo e mais engrandecedor que poderia ter vivido. Quando lembro, a ideia que me ficou foi a de paz e tranquilidade.

Beijinhos e obrigada.

Mariana

 

Obrigado eu Mariana, por partilhares este momento unico e maravilhoso da tua vida, connosco.

Desde já, além de te agradecer o teu testemunho, aproveito para te dar as boas vindas e desejar que gostes do BabyClub.

 

Com os vossos testemunhos podemos sempre ajudar muitas futuras mamãs.

 

Obrigado!

 

Publicado por Angel@ - BabyClub às 19:34

2 comentários:
Emocionou-me bastante o teu relato!!! Sinceramente é preciso ter muita coragem para tomar a decisão de ter um filho em casa. Eu de certeza que não teria tanta força, nem nunca coloquei sequer a hipótese de não ter um filho que não fosse no hospital. O que importa é que tudo acabou bem!!!
Desejo muitas felicidades.
Beijinhos
Neli a 30 de Abril de 2008 às 13:39

Gostei muito de ler este testemunho e eu tb nunca teria coragem de ter o meu filho em casa, sou muito medricas nessas coisas e ia ter sp medo que algo corresse mal.... :)

Muitas beijocas

Maria Pereira
era1xeu a 2 de Maio de 2008 às 12:35

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